O barco vai sair no fim da tarde,
minha irmã segura o meu casaco.
Ela diz que a casa fica aberta,
eu digo que telefono quando chegar.
Tenho o nome escrito na passagem,
mas metade de mim quer ficar.
Quem vai longe não precisa ir sozinho,
levo a nossa mesa dentro de mim.
Devagar, devagar no cais,
deixa o abraço durar um pouco mais.
Vou levar teu riso pelo mar,
o caminho também sabe voltar.
O rapaz da banca serve dois cafés,
conhece a nossa pressa de outros anos.
Minha irmã pergunta se comi,
eu reconheço a voz da nossa mãe.
Dou risada pra não chorar agora,
ela limpa a minha gola sem falar.
Não prometo que vai ser tudo fácil,
mas prometo não deixar de ligar.
Devagar, devagar no cais,
deixa o abraço durar um pouco mais.
Vou levar teu riso pelo mar,
o caminho também sabe voltar.
Quando a terra vira linha no horizonte,
sinto a mão dela ainda sobre a minha.
Abro a bolsa, encontro um pão embrulhado,
o carinho atravessou antes de mim.
Devagar, devagar no cais,
deixa o abraço durar um pouco mais.
Vou levar teu riso pelo mar,
o caminho também sabe voltar.